Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

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015 - ANA MARIA NASCIMENTO E SILVA

Foto: com flores na lapela do vestido ao lado de Ilka Soares em cena de
"Brasa Adormecida" ( 1987), de Djalma Limongi Batista


Muitas atrizes do cinema brasileiro foram para o outro lado câmera e viraram diretoras. Já outras, mesmo sem abandonar a carreira frente às telas, se aventuraram na produção. Nesse último caso está Ana Maria Nascimento e Silva. 

Nascida no Rio de Janeiro, em 12 de abril de 1957, Ana Maria Nascimento e Silva é filha do ex-presidente da distribuidora Fox no Brasil, o grego Charilaos Anastasiadi. Com passagem pelo Tablado de Maria Clara Machado e algumas peças infantis no currículo, Ana Maria estréia em novelas e no cinema nos anos 70. Sua primeira novela é “Nina”, do grande autor Walter George Durst, em 1977. 

A essa novela se segue mais uma dúzia de trabalhos na telinha, entre novelas e minisséries, com atuações mais constantes nas décadas de 80 e 90. Nos anos 90, comanda também um programa de entrevistas chamado Delles. 

Ana Maria Nascimento e Silva estréia no cinema marcando presença atuante nos anos 70. Atua em “Marcados para Viver” (1976), de Maria do Rosário Nascimento e Silva; “Paraíso no Inferno” (1977), de Joel Barcellos; no clássico “Ladrões de Cinema” (1977), de Fernando Cony Campos; “A Força de Xangô” (1977), de Iberê Cavalcanti; “Os Trombadinhas” (1979), de Anselmo Duarte. 

No final dos anos 70 e início da década de 80, Ana Maria atua em filmes de cineastas da Boca do Lixo, e marca presença em um grande sucesso: “O Bem-Dotado – O Homem de Itu”, como Volga, uma das tantas mulheres que querem seduzir o bem-dotado caipira Lírio, interpretado por Nuno Leal Maia. O filme é dirigido por José Miziara, e os outros dois diretores da Boca com os quais trabalha é Roberto Mauro em “Desejo Violento” (1978) e Antonio Calmon em  “A Mulher Sensual” (1981). 

A década de 80 marca um encontro com um homem que vai mudar a sua vida: o cineasta Paulo César Saraceni. O grande cineasta, um dos criadores do Cinema Novo, apaixona-se por Ana Maria, casa-se com ela, escreve um filme para ela ser a protagonizata e mais tarde ela se torna produtora de seus filmes. 

O filme de Saraceni que a atriz protagoniza é “Ao Sul do Meu Corpo”, uma adaptação de um conto de Paulo Emílio Salles Gomes. No filme, a atriz é Helena, uma mulher dividida entre o marido, Paulo César Peréio, e uma paixão, Nuno Leal Maia. 

A partir desse trabalho, Ana Maria Nascimento e Silva passa a ter uma presença fundamental na obra de Saraceni, atuando em “Natal da Portela”, em 1988, e, sobretudo, inaugurando uma nova frente em sua carreira: a produção. 

Adaptado da obra de Lúcio Cardoso, “O Viajante” é o esperado último filme da trilogia que o cineasta rodou sobre o genial escritor. Como nos anteriores, “Porto da Caixas” e “A Casa Assassinada”, protagonizados, respectivamente, por Irma Alvarez e Norma Bengell, “O Viajante” tem como protagonista outra grande atriz: Marília Pêra. 

Ana Maria Nascimento e Silva é a produtora do belo filme, um dos sonhos de vida de Saraceni, realizado em 1999.  Em 2003, ela volta a assinar mais uma produção do marido, dessa vez o documentário “Banda de Ipanema – Folia de Albino”, em 2003. 

Como atriz de cinema atua em filme de outros diretores: os belos “Brasa Adormecida” (1987) e “Bocage – O Triunfo do Amor” (1998), ambos de Djalma Limongi Batista; o juvenil  “Sonho de Verão” (1990), de Paulo Sérgio Almeida, a adaptação de Guimarães Rosa em “A Terceira Margem do Rio” (1994), de Nelson Pereira dos Santos; e a co-produção Brasil/Portugal “Eternidade” (1995), de Quirino Simões.

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