Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
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SANDRA GRÄFFI por ALFREDO STERNHEIM

 

Foto: com João Francisco Garcia em cena de "Brisas do Amor" (1980),
de Alfredo Sternheim

Na minha carreira de diretor de cinema, tive o prazer de trabalhar com grandes intérpretes e pessoas maravilhosas. Entre as atrizes, algumas já foram reverenciadas neste blog. Caso da divertida e generosa Neide Ribeiro (até hoje, uma grande amiga presente), de Vera Fischer, Patrícia Scalvi, Helena Ramos, Lola Brah (uma incansável batalhadora por melhores condições para o nosso cinema), a queridíssima Ivete Bonfá (que foi embora cedo), Rossana Ghessa, Zilda Mayo... Mas não vi Sandra Gräffi. Uma autêntica estrela, uma atriz forte, bonita, sensual e espontânea. Dava gosto filmar com ela. Dava gosto vê-la na tela.

Não lembro se ela foi descoberta por David Cardoso ou Ody Fraga. Mas assim que a vi em um filme deles, fiquei deslumbrado. Quando a conheci, mais ainda. E a convidei para atuar em Brisas do Amor, produzido por Adone Fragano em 1980. Uma espécie de Grand Hotel tupiniquim que tinha também Sonia Mamed, Luiz Carlos Braga... Em um hotel de Mongaguá, vários personagens se cruzam. Sandra ficou com papel de uma atriz que acaba seqüestrada por um admirador ressentido (João Francisco Garcia). Ele fez alguns serviços de eletricidade na casa dela, mas a atriz jamais se deu conta da presença dele. Criei essa personagem baseado em intérpretes que conheci e conheço, e que, no seu alto egocentrismo, jamais têm percepção real de quem está ao seu lado, qual o mundo em que vivem. Claro que tal atitude não justifica seqüestros. Sandra esteve brilhante nos momentos de capricho e pânico, de amor e carência.

Inspirado por seu talento, escrevi Tensão e Desejo, suspense que acabaria sendo produzido por Roberto Galante, mais tarde marido de Sandra. No papel de uma professora que é sedutora sem se dar conta disso, e que acaba sendo considerada suspeita de um assassinato, essa moça nascida em 1962 no estado do Rio (acho que em Barra Mansa) mostrou uma garra incrível. Existe uma seqüência de pesadelo de Luiz Carlos Braga com muito erotismo, com uma coreografia que bolei para uma música de Beethoven. Era uma seqüência difícil. Mas mesmo sem um bom tempo de ensaio (a filmagem toda foi em quatro semanas), Sandra esteve notável. Revi o filme nesta semana e fiquei entusiasmado e triste. Entusiasmado pelo resultado alcançado graças a equipe, ao Braga, ao iluminador Luisinho e principalmente a Sandra. E triste por não estar mais dirigindo, por não ter mais oportunidade de colocar na tela talentos como o da carismática Sandra.Gräffi. Uma grande atriz, uma estrela absoluta, natural. Linda.


Alfredo Sternheim é um grande diretor do cinema brasileiro. Mesmo tendo abandonado a
carreira de cineasta no final dos anos 1980, construiu uma filmografia marcante e foi
um dos diretores mais criativos e atuantes da chamada "Boca do Lixo", em São Paulo.
Em sua carreira dirigiu 24 longas e 14 curtas. Dentre seus filmes estão "Paixão na Praia" (1971),
"Anjo Loiro" (1973), "Lucíola, o Anjo Pecador" (1975), "Corpo Devasso" (1980),
"Violência na Carne" (1980), "Brisas do Amor" (1982), e "Tensão e Desejo" (1983),
Alfredo Sternheim é também jornalista e assina críticas de cinema em jornais e na Revista Set.
Em 2005, publicou, pela coleção Aplauso, o indispensável
"Cinema da Boca - Dicionário de Diretores".

 

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