Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

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ADÉLIA SAMPAIO

Foto: Adélia Sampaio (ao centro) durante as filmagens do curta "Denúncia Vazia",
com os atores Rodolfo Arena e Catarina Bonack. Foto do acervo da cineasta


Adélia Sampaio nasceu em Belo Horizonte em 1944, mas mudou-se para Rio de Janeiro com 12 anos.

Adélia Sampaio é uma das poucas mulheres que chegaram à direção de longas de ficção nos anos 1980, ou seja, antes do Cinema da Retomada – período a partir dos anos 90, em que houve um “boom” de mulheres cineastas.

O começo da carreira cinematográfica foi na Difilm, em 1967, distribuidora de nomes ligados ao Cinema Novo, como Luiz Carlos Barreto e Joaquim Pedro de Andrade. Adélia Sampaio era a telefonista da Difilm, e, paralelamente, organizava sessões em 16mm para cineclubistas. Na época, inclusive, foi vítima da ditadura militar – seu marido, jornalista, foi preso político, e ela mesmo chegou a ser presa e a apanhar dos agressores.

Adélia Sampaio foi levada para a Difilm pela irmã, Eliana Cobett, à época casada com cineasta William Cobett. Quando saíram da Difilm, as duas fizeram parceria na produção e produziram filmes do cineasta – “O Monstro de Santa Teresa” (1975); e “O Grande Palhaço” (1980). Nessas produções, Adélia atuou em várias frentes, foi produtora, produtora executiva, continuísta, maquiadora.

Ainda nos anos 1970, Adélia Sampaio trabalha na produção de três filmes importantes. O primeiro foi “O Segredo da Rosa”, dirigido por Vanja Orico, em 1974 – neste filme fez a produção executiva e foi uma dos roteiristas. Já em 1977, produziu o último filme de Luiz de Barros, o lendário Lulu de Barros: “Ele, Ela, Quem?”. E por fim, produziu com Geraldo Santos Pereira, o filme “O Seminarista”, em 1977, dirigido por ele.

Na década de 1980, Adélia Sampaio dá salto em sua carreira. Depois de produzir o importante “Parceiros da Aventura” (1980), de José Medeiros, e “Um Menino... Uma Mulher” (1980), de Roberto Mauro, e dirigir vários curtas, ela parte para a direção de longas.

Os curtas dirigidos por Adélia Sampaio nos anos 1970 e 1980 são “Denúncia Vazia”, “Agora um Deus dança em mim”, “Adulto Não Brinca” e “Na Poeira das Ruas”.

Em 1984, Adélia Sampaio dirige “Amor Maldito”, filme com temática homossexual feminina baseado em história real. Aliás, Adélia Sampaio é nome pioneiro na direção de longas dirigidos por mulheres focados no tema. “Amor Maldito” tem como protagonistas as atrizes Monique Lafond e Wilma Dias – esta última, precocemente falecida em 1991.

Em 1987, Adélia Sampaio dirige o documentário “Fugindo do Passado: Um drink para Tetéia e História Banal”, sobre memórias da ditadura. Em 2004, co-dirige, com Paulo Markum, para a televisão, “AI-5 – O dia que não existiu.

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