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Fotos:
Alessandra Negrini ("Cleópatra" - Julio Bressane -2007);
A convite da Rádio Alvorada FM. de Belo Horizonte, o Mulheres fez breves comentários sobre três filmes: "Cleópatra", de Júlio Bressane; "Falsa Loura", de Carlos Reinchenbach; e "5 Frações de Uma Quase História", de Cristiano Abud, Criz Azzi, Thales Bahia, Lucas Gontijo, Armando Mendz e Guilherme Fiúza. As considerações que foram ao ar estão transcritas abaixo.
Alessandra Negrini em "Cleópatra" “Cleópatra” é mais um filme polêmico do cineasta Júlio Bressane. O diretor já trouxe para as telas personagens distantes do cotidiano, como o Padre Antônio Viera, São Jerônimo e o filósofo Nietzsche. Dessa vez ele radicalizou ainda mais ao fazer uma leitura singular e latina da mítica rainha do Egito. “Cleópatra” na visão de Júlio Bressane fala um português com sotaque carregado, os atores têm interpretação teatral e na trilha sonora tem até Dalva de Oliveira cantando Lupiscínio Rodrigues. O resultado vem dividindo a crítica e espantando boa parte do público. Com cenários do Egito reproduzidos no Rio de Janeiro, “Cleópatra” é um filme sério, mas isso não impede que boa parte do público dê risadas inesperadas em algumas cenas. Um exemplo é o ator Bruno Garcia, que interpreta Marco Antônio, fazendo contorcionismos para não protagonizar cenas de nudez. Mas quem mergulhar na proposta de Bressane vai encontrar pontos fascinantes durante o filme. Dentre os protagonistas, só mesmo Bruno Garcia erra a mão. Alessandra Negrini foi muito vaiada no Festival de Brasília pelo prêmio de Melhor Atriz, mas está ótima no filme. Quem também surpreende é Miguel Falabella como Júlio César. “Cleópatra” recebeu seis prêmios no quadragésimo Festival de Brasília, dentre eles o de Melhor Filme.
Rosanne Mullholand em "Falsa Loura" “Falsa Loura” é o mais novo e belo filme do cineasta Carlos Reichenbach, em cartaz em algumas capitais. O filme conta a história de Silmara, uma operária que vive na periferia de São Paulo. Bela e ambiciosa, Silmara se envolve com dois ídolos da música com resultados inesperados. “Falsa Loura” não é um filme que agrada a todo tipo de platéia - é um filme popular e, por isso, muitos torcem o nariz. O diretor apostou mais uma vez no universo da periferia, com seus personagens em busca de sonhos e de uma vida menos ordinária. Muitos diretores brasileiros recentes andam apostando na estética das novelas de TV e dizem que fazem melodrama. Mas não estão. O que estão fazendo é mesmo o velho e manjado folhetim. Não é o caso de Carlos Reichenbach. O cineasta é um dos poucos que revisitam o melodrama com total propriedade. Carlão não tem medo do brega, e por isso em seu filme tem lugar para karaokê, ídolo de música popular e diálogos maliciosos de operárias em hora de almoço. Uma das marcas do diretor é reunir elencos inesperados. Em “Falsa Loura” ele não fez diferente e colocou em cena atores de estilos diferentes como Maurício Mattar, Cauã Reymond, Djin Sganzerla e Suzana Alves, a Tiazinha. Mas o grande destaque mesmo é Rosanne Mulholland, a belíssima e talentosa protagonista do filme. Rosanne Mulholland é mesmo um animal de cinema e a câmera a adora. Reichenbach já disse que ela é a alma e o sangue do filme. Assistindo “Falsa Loura” fica mesmo difícil discordar do veterano e ótimo cineasta.
“5 frações de Uma Quase História” foi dirigido por seis cineastas: Cristiano Abud, Criz Azzi, Thales Bahia, Lucas Gontijo, Armando Mendz e Guilherme Fiúza. Realizado pela produtora mineira Camisa Listrada, “5 Frações de Uma Quase História” é um filme de apelo de público. Ainda que não seja um filme de episódios, o fato de ter sido dirigido por cineastas distintos reflete resultados diferentes na tela. Guilherme Fiúza com a história da jovem disposta a se casar a qualquer custo foi o que conseguiu um diálogo maior com o público. Além de apostar no humor, ele contou com dois ótimos atores, o brasiliense Murilo Grossi e a mineira Cynthia Falabella. Cynthia, inclusive, arrebatou o prêmio de Melhor Atriz no último Festival de Miami. Cris Azzi também apresenta um trabalho interessante com um estilo parecido ao do cineasta David Lynch. Nessa fração de uma quase história, o também mineiro Luiz Arthur é um personagem que vivencia as situações que assiste na TV. É claro que “5 Frações de Uma Quase História” é um filme que ambiciona o mercado nacional. Mas é inegável também que para os mineiros há um sabor especial em ver Belo Horizonte nas telas. Afinal não é todo dia que se vê cartões-postais da capital como a Praça 7 e o Parque Municipal como cenários de um filme. Dentre as atrizes vale destacar ainda as ótimas atuações de Inês Peixoto, Raquel Pedras e Samira Àvila. Ainda que apresente resultado irregular, “5 Frações de Uma Quase História” tem ótima produção e merece ser conferido.
Junho/2008
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