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ANA
CAROLINA
Obra completa em DVD
  
A
cineasta Ana Carolina, que dá nome a uma das salas do Mulheres,
acabou de lançar caixa de DVDs com sua obra em longas completa:
"Getúlio Vargas", "Mar de Rosas", "Das
Tripas Coração", "Sonho de Valsa", "Amélia"
e "Gregório de Mattos".
Tema de minha monografia de conclusão do curso de Jornalismo, no
UNI-BH, a trilogia formada por "Mar de Rosas", "Das Tripas
Coração" e "Sonho de Valsa" é um grande
momento do cinema brasileiro. Abaixo, algumas considerações
apresentadas na monografia sobre a trilogia.
Ana
Carolina - Trilogia
A trilogia formada pelos longas Mar de Rosas (1977), Das Tripas Coração
(1982) e Sonho de Valsa (1987) compõe um olhar da cineasta Ana
Carolina sobre os diferentes agentes de opressão sobre a mulher.
Realizados com cinco anos de diferença entre um filme e outro,
cada um deles focaliza a mulher em diferentes situações,
subjugada por instituições e instâncias como a família,
o sexo e o amor romântico.
Em Mar de Rosas, a cineasta coloca em cena uma família desestruturada
como mote para discussão sobre o poder do casamento e, conseqüentemente,
da constituição familiar que se manifestam como mecanismo
de opressão sobre a mulher. Depois de uma briga durante uma viagem,
Felicidade ataca seu marido Sérgio com cortes de gilete no banheiro
de um quarto de hotel. Pensando que o marido está morto, ela foge
levando a filha adolescente do casal, Betinha, no carro do marido. Pouco
depois, ela percebe que estão sendo seguidas por um homem. Tem
início aí uma trajetória em que mãe, filha
e perseguidor vão vivenciar momentos alucinados e encontrar personagens
inusitados pelo caminho.
No entanto, ao se livrar do marido, Felicidade acaba por incorporar alguns
traços dele no relacionamento com a filha adolescente. E Betinha,
por sua vez, só irá conseguir se livrar da instituição
família ao matar a mãe, jogando-a literalmente do trem.
Em Das Tripas Coração, Ana Carolina situa sua história
em um internato feminino prestes a ser fechado. Um interventor chega a
um colégio de moças com a missão de fechar o estabelecimento,
que está com dívidas e problemas insolúveis. Chegando
lá, ele adormece durante alguns minutos, enquanto espera pelas
diretoras e professoras para uma reunião. Durante o cochilo, ele
sonha com as alunas e professoras em situações de histeria
exacerbada e de clima delirante.
Ao escolher o interventor como ponto de vista, Ana Carolina faz desfilar
pela cena mulheres de diferentes gerações, seja as alunas
adolescentes, seja as professoras, todas elas às voltas com o papel
de opressão que o sexo desempenha em suas vidas, aliado ao poder
do Estado e da religião. Caberá a essas personagens vivenciar
a explicitação desse desejo em grande parte de forma histérica.
Por fim, em Sonho de Valsa é a vez da personagem Teresa, uma mulher
em busca da concretização do amor romântico. Teresa,
uma mulher de 30 anos, vive com pai e o irmão. Insegura, debate-se
por, em sua idade, não ter se casado nem constituído família,
e, tampouco, se realizado profissionalmente. Ela sonha em encontrar o
amor, mas os homens apenas a desejam. Teresa se envolve com vários
homens em busca de seu príncipe encantado, mas em sua dolorida
trajetória, vai se instalando a consciência de que príncipes
encantados não existem.
A partir da construção desses personagens nos três
filmes, percebe-se uma unidade em crescendo na trilogia sobre esses mecanismos
de opressão na trajetória feminina. Esse percurso culminará,
no final da trilogia, com a transformação da mulher da condição
de objeto a de sujeito de sua existência.
Agosto/2008
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