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NASH
LAILA
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Foto:
"cena de "Deserto Feliz" (2007),
de Paulo Caldas
O
cinema brasileiro, felizmente, não pára de se renovar. Além
da nova safra de cineastas, há também uma nova geração
de atores se revelando. Um desses nomes é Nash Laila, a jovem protagonista
do novo filme de Paulo Caldas, "Deserto Feliz". Pernambucana,
Nash Laila nunca tinha feito nada no cinema, mas arrasa em seu primeiro
trabalho. O filme fala de turismo sexual, de tráfego de animais
silvestres, mas fala, sobretudo, do universo da personagem Jéssica,
uma adolescente que sai de casa e se prostitui.
Nash
Laila foi aprovada em teste, deu vida à complexa personagem sem
grandes medos de enfrentar a primeira experiência cinematográfica
- a experiência anterior de atriz foi só em teatro: "não
foi tão difícil porque também eu não sabia,
não tinha muito consciência do que estava fazendo não
(risos). Eu tava ali, queria fazer, e me joguei. Mas, eu acho que no teatro
tem uma dificuldade maior, que é fazer expressionismo. Já
no teatro eu levava para uma linha mais naturalista, tudo, então
me adeqüei ao cinema bem mais fácil. O cinema pra mim é
bem mais tranqüilo que o teatro, embora eu adore fazer teatro".
Além das peças "A Lição" e "Valsa
nº 6", a atriz atuou na minissérie "Santo por Acaso",
uma produção na TV de Recife.
O
trabalho de Nash Laila em "Deserto Feliz" impressiona. Sua atuação
está totalmente condizente com seus colegas de cena, atores experientes
nas telas como João Miguel, Hermila Guedes, Peter ketnath e Madale
Alves. A atriz faz considerações sobre eles, como Hermila
Guedes - "A Hermila tem uma forma de interpretação
que acredito muito, então a gente conversava muito sobre isso,
foi bem bacana trabalhar com ela"; e Magdale Alves - "A Magdale
foi incrível porque ela tem muita coisa da minha mãe mesmo,
ela como pessoa, o jeito, alguma coisa assim. Assim que eu a conheci eu
disse “Meu Deus, que ótimo”. E a mãe de Jéssica,
Maria, aquele negócio de uma mulher forte, o jeito de dançar,
essas coisas todas foram... bem, eu jurava que era filha dela ali (risos).
Acreditava plenamente que eu era filha dela (risos). Foi super bacana,
ela é ótima".
Nash
Laila esteve na "11a Mostra de Cinema de Tiradentes", ao lado
de Paulo Caldas, para a exibição de "Deserto Feliz".
A atriz conversou com o Mulheres e falou sobre seu trabalho, sobre como
foi fazer seu primeiro papel no cinema, a relação com a
direção e com os atores, e outras impressões.
Mulheres:
O “Deserto Feliz” é um filme impactante e é sua estréia
em cinema, já como protagonista. Como você chegou a esse
filme do Paulo Caldas?
Nash Laila: É, eu tinha feito teatro até
então, desde 1999 que eu faço teatro. Tinha feito duas peças
e algumas esquetes e rolou o teste pra o “Deserto” em Recife. Uma amiga
me ligou e eu fui fazer o teste. Aí, no outro dia, o Paulo me ligou
me chamando para uma reunião. Eu fui à reunião e
ele me convidou para fazer Jéssica.
Mulheres: Quais são os nomes das peças?
Nash Laila: A minha primeira peça foi “A Lição”,
de Ionescu, um escritor francês. É uma comédia, eu
fiz o papel de uma aluna, da época do Teatro do Absurdo. Em minha
segunda peça eu fiz Sônia em “Valsa Nº 6”, que foi uma
prova pública, na verdade. Foi bem intensa, a gente passou um ano
ensaiando, já que era mais complexa.
Mulheres: Você não tinha nenhuma experiência
em cinema?
Nash Laila: Nenhuma.
Mulheres: Você consegue relembrar a primeira vez
que você pisou no set?
Nash Laila: A primeira vez que eu pisei no set mesmo
eu não filmava nesse dia, eu fui só para observar, para
ver como era. Mas foi bem tranqüilo, porque Paulo, a linguagem que
ele optou pro “Deserto”, com a câmera na mão, planos seqüências,
foi bem tranqüilo pra mim, que nem no teatro. Não precisava
fazer plano e contraplano, repetir, fazer frases partidas pra gravar uma
coisa aqui e outra coisa ali. Então pra mim foi bem tranqüilo,
a minha primeira vez no set, a primeira vez que eu filmei. A primeira
vez no set foi só para observar as outras cenas, como seria.
Mulheres: O tempo do teatro é bem diferente do
cinema. O resultado, como se pode ver na tela, ficou ótimo. Ainda
assim, foi muito difícil para você?
Nash Laila: Não, não, não foi tão
difícil porque também eu não sabia, não tinha
muito consciência do que estava fazendo não (risos). Eu tava
ali, queria fazer, e me joguei. Mas, eu acho que no teatro tem uma dificuldade
maior, que é fazer expressionismo. Já no teatro eu levava
para uma linha mais naturalista, tudo, então me adeqüei ao
cinema bem mais fácil. O cinema pra mim é bem mais tranqüilo
que o teatro, embora eu adore fazer teatro.
Mulheres: No filme, você contracena muito com uma
atriz maravilhosa, que é a Hermila Guedes. Como foi esse encontro?
Nash Laila: Foi maravilhoso, a Hermila é... antes
da gente fazer as cenas da gente, no set mesmo... primeiro a gente dividia
o mesmo quarto na pousada, então a gente comia, conversava sobre
coisas, conversava sobre os personagens. Quando a gente ia pro set era
se soltar e trazer aquilo que a gente conquistou de intimidade para os
personagens, já que elas conviviam juntas também. E não
era só eu e ela, tinha também a Elaine Nascimento, que é
a terceira menina.
Mulheres: E que é ótima também.
Nash Laila: É ótima, e aí foi bem
bacana. A Hermila tem uma forma de interpretação que acredito
muito, então a gente conversava muito sobre isso, foi bem bacana
trabalhar com ela.
Mulheres: E tem também uma diva que é a
Zezé Motta.
Nash Laila: Foi ótimo. Na verdade foi bem rápido,
né? Quando ela chegou, a gente já tinha filmado algumas
coisas. Ela chegou pra fazer a parte dela. Mas foi ótimo, juntou
todo mundo, conversamos, passamos a tarde lá no Holiday, que é
o prédio onde a gente filmou, conversamos sobre as cenas, foi maravilhoso.
A Zezé é maravilhosa.
Mulheres: Ao lado dessa turma toda, que inclui ainda
o João Miguel, a impressão que passou é que você
já era uma veterana.
Nash Laila: Que ótimo (risos), obrigada.
Mulheres: É muito legal você dizer que o
cinema foi tranqüilo para você. E por ser tranqüilo, você
pensa em dar continuidade à carreira nas telas?
Nash Laila: Claro, completamente, completamente. Quero
fazer as duas coisas, o tanto de trabalho que surgir pra mim eu vou me
jogar.
Mulheres: Você continua no teatro?
Nash Laila: Continuo. Na verdade, eu estou fazendo um
projeto novo agora, a gente tá adaptando um livro de um escritor
pernambucano, e aí vamos ver no que vai dar. Mas ainda tá
bem no comecinho e aí nem tem data. E cinema esse ano, né?
Tem “Amor Sujo”, de Paulo (Caldas), em que eu vou fazer também
uma personagem. E o que surgir eu tô pronta pra agarrar.
Mulheres: Como foi contracenar com o Peter (Ketnath)?
Nash Laila: Foi tranqüilo também. Na verdade,
quando eu falo que eu meio não tinha consciência do que tava
acontecendo é meio isso também, eu conheci todo mundo na
mesma época, menos Paulo, que já conhecia “O Baile Perfumado”.
Mas o resto das pessoas, a Hermila... Eu tinha visto o “Cinema, Aspirinas
e Urubus” (2005 – Marcelo Gomes) uma semana antes de ir pro set do “Deserto”,
então o João Miguel, eu conheci todos na mesma época.
Foi maravilhoso, o Peter é super tranqüilo, eu me deixei levar
por ele nas cenas da gente, como ele já era veterano (risos), aí
eu me deixava levar também pra ver o que ia acontecer, né?
Mulheres: Durante as filmagens você estava com
qual idade?
Nash Laila: Eu estava com 18.
Mulheres: As filmagens foram tranqüilas? Teve interrupções?
Nash Laila: Não, na verdade, como a gente filmou no final do ano,
começou a filmar em Petrolina em outubro, aí deu uma pausa
de uma semana, mais ou menos. Aí veio pra filmar em Recife, e aí
deu uma pausa no Natal e Ano Novo. Em fevereiro a gente foi filmar em
Berlim. Na verdade, foi só em momentos de festa, mês festivo,
essas coisas, que a gente parou.
Mulheres: Como espectadora, você via filmes brasileiros?
Nash Laila: Via sim, eu adoro filme brasileiro. Só
que os novos, as pessoas, estavam acontecendo agora, né? Naquela
época. A Hermila, pra mim. Foi muito bacana.
Mulheres: Outra ótima atriz no elenco é
a Magdale Alves.
Nash Laila: Magdale, meu Deus! A Magdale foi incrível
porque ela tem muita coisa da minha mãe mesmo, ela como pessoa,
o jeito, alguma coisa assim. Assim que eu a conheci eu disse “Meu Deus,
que ótimo”. E a mãe de Jéssica, Maria, aquele negócio
de uma mulher forte, o jeito de dançar, essas coisas todas foram...
bem, eu jurava que era filha dela ali (risos). Acreditava plenamente que
eu era filha dela (risos). Foi super bacana, ela é ótima.
Mulheres: Você já disse que se entregou
como atriz para fazer a personagem. E o lado psicológico da personagem?
Você fez algum tipo de preparo, de estudo pra compor a Jéssica?
Nash Laila: Pra Jéssica eu conversei com várias
meninas no Recife, li alguns livros pra me basear mais ou menos sobre
o que acontecia no geral e pra associar com o que o Paulo queria. Então
eu encontrei essas características gerais assim, que é menina
que é explorada por alguém na família, que sai de
casa, que não gosta de nada daquilo que tá fazendo, mas
também não tem o que fazer, tá lá. Eu acho
que Jéssica é isso. Ela meio que não tem consciência
do tanto de coisa ruim que ela tá vivendo, na base do padrasto,
do negócio que acontece consecutivamente, e pra sair disso ela
toma a única atitude que é sair de casa, o resto ela se
deixa levar. Então eu acho que, basicamente, foi isso que eu busquei
mesmo.
Mulheres: Qual o último filme brasileiro que você
assistiu?
Nash Laila: No festival, foi o “5 Frações
de Uma Quase História” (2007 – Armando Mendz, Cris Azzi, Guilherme
Fiúza, Cristiano Abud, Lucas Gontijo e Thales Bahia).
Mulheres: Eu sempre convido minhas entrevistadas para
homenagearem uma mulher do cinema brasileiro de qualquer época
e de qualquer área.
Nash Laila: Uma mulher? Caramba... (silêncio).
Vai parecer puxa-saco... Hoje é a Hermila mesmo, hoje é
uma pessoa que eu digo “Meu Deus, que atriz!” É a Hermila
Mulheres: Obrigado pela entrevista.
Nash Laila: De nada.
Entrevista
realizada em janeiro de 2008,
na "11a Mostra de Cinema de Tiradentes".
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