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MAÍRA
CHASSERAUX
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Foto:
"11a Mostra de Cinema de Tiradentes"
Crédito: Alexandre C. Mota
Depois
de quase uma década ausente das telas, Guilherme de Almeida Prado
está de volta com uma bela adaptação de "Onde
Andará Dulce Veiga?", de Caio Fernando Abreu. Em seu novo
filme, o cineasta reuniu suas grandes musas - Maitê Proença,
Imara Reis, Matilde Mastrangi, Christiane Torloni e Júlia Lemmertz,
e apostou em novas: a consagrada Carolina Dieckman e uma estreante no
cinema, Maíra Chasseraux.
Filha
do ator José Rubens Chachá, Maíra Chasseraux estréia
em grande estilo: com um dos cineastas mais autorais do cinema brasileiro
e na pele de uma personagem importante no filme - Patrícia, a namorada
da rockeira Márcia, interpretada por Dieckman. Maíra tem
extensa formação teatral: "Hoje em dia tem muitos atores
que tem a pretensão de ir direto para a televisão, né?
Não tem muita vontade de se formar. Eu acho que é fundamental".
Mas isso não quer dizer que abra mão de trabalhar na TV:"Eu
quero, tá bem dentro da área, atuando. Não fugindo
muito disso, todos os canais estão abertos, televisão, cinema,
teatro, tudo que diz respeito à atuação me interessa,
eu não tenho preconceito com nada".
Maíra
Chasseraux tem relação estreita não só com
o teatro, mas também com o cinema, pois seus irmãos estão
envolvidos com o cinema e atriz tem alguns curtas, sobretudo de faculdade,
no currículo - "Onde Andará Dulce Veiga?" é
seu primeiro longa: "A minha escola é o teatro, eu vim de
lá, aprendi lá. Eu me sinto à vontade no palco, sinto
muita falta quando fico muito tempo sem pisar no palco, começo
a ficar estressada, enlouquecer, eu não consigo. Mas eu adoro fazer
cinema, por exemplo, amo, amo. Eu acho que se eu pudesse escolher, eu
viveria de cinema". A atriz é toda elogios para seu diretor:
"O Guilherme é uma pessoa... não é puxa-saco
não, ele é uma pessoa incrível, querido, super acessível.
Então eu me senti super à vontade. Eu tive, não um
deslumbramento, mas um encantamento de estar naquele lugar.".
Maíra
Chasseraux esteve na "11a Mostra de Cinema de Tiradentes" no
final do mês passado para acompanhar, ao lado de Guilherme de Almeida
Prado, da exibição de "Onde Andará Dulce Veiga?".
A atriz conversou com o Mulheres, falou de sua formação,
da importância do teatro em sua vida, da paixão pelo cinema,
do encantamento em estar no elenco do filme e da convivência com
a direção, a equipe e os outros atores.
Mulheres:
Como se deu a sua formação de atriz?
Maíra Chasseraux: Eu estudei teatro na Escola
Célia Helena, me formei lá. De lá, a gente já
saiu com um grupo formado, dirigido pelo Marcelo Mazarato, Companhia Elevador
de Teatro Panorâmico. Eu fiquei uns quatro, cinco anos fazendo parte
da companhia. Paralelamente, eu fiz comunicação e artes
do corpo na PUC e me formei em bacharelado no teatro. Depois de sair da
companhia, eu comecei a trabalhar com diretores soltos, como o Mário
Bortolotto, Jairo Matos, Márcia Abujamra.
Mulheres: Que período foi esse na Escola Célia
Helena?
Maíra Chasseraux: De 1997 a 2004, foi quando eu
estudei teatro. Célia Helena, de 1997 a 2000; e a PUC, de 2000
a 2004.
Mulheres: Você tem uma longa formação
em teatro, tanto acadêmica quanto de palco, mas hoje tem muitos
atores que não querem fazer teatro. O que você pensa sobre
isso? A formação em teatro é realmente fundamental?
Maíra Chasseraux:: Hoje em dia tem muitos atores
que tem a pretensão de ir direto para a televisão, né?
Não tem muita vontade de se formar. Eu acho que é fundamental.
O meu pai também é ator (José Rubens Chachá)
e é autodidata, mas ele estudou muito, fez comunicação.
E naquela época era diferente. Hoje em dia eu acho que é
bom você condensar informação e conhecimento, senão
você vai demorar muito tempo para aprender tudo o que aprenderia,
e ter acesso a toda a informação que você teria dentro
de uma universidade, por exemplo. Eu acho fundamental, teatro especificamente.
Eu acho que qualquer ator que queira ir para a televisão ou para
o cinema tem que fazer teatro, porque é aonde você aprende
a interpretar, você aprende os caras, Stanislavsky, Eugenio Braba,
os caras todos.
Mulheres: A relação com seu pai te traz
subsídios para o trabalho de atriz?
Maíra Chasseraux: Não. As minhas facilidades
foram conhecer desde cedo teatro, eu nasci praticamente na coxia de teatro.
Desde muito cedo eu lido com isso, conheço muita gente que diz
“ah, te peguei no colo”, muito diretor, um monte de ator, um monte de
gente que eu admiro muito. Então eu tenho esse acesso por ser meio
uma sobrinha, uma amiga desde muito cedo, mas o meu caminho eu trilhei
sozinha, nunca tive alguém que me pegasse pela mão e me
conduzisse.
Mulheres: A minha pergunta não é bem por
esse lado, é mais pelo lado da reflexão sobre a profissão.
Maíra Chasseraux: Ah, isso sim, muito. Meu pai
é meu grande ídolo, desde pequena eu achava que não
tinha escolha, que o meu caminho era esse, que eu não saberia fazer
mais nada da vida que não fosse isso.
Mulheres: Você falou sobre a relação
do ator com a televisão. E para você, como é a possibilidade
da televisão?
Maíra Chasseraux: Eu quero, tá bem dentro
da área, atuando. Não fugindo muito disso todos, os canais
estão abertos, televisão, cinema, teatro, tudo que diz respeito
à atuação me interessa, eu não tenho preconceito
com nada. Faço muita publicidade para a televisão, que é
onde tem o nosso ganha-pão, faço muita locução.
Eu tento me sustentar da minha profissão, do meu trabalho, que
é muitíssimo difícil, né? Então eu
estou aberta a tudo que chega até mim.
A minha escola é o teatro, eu vim de lá, aprendi lá.
Eu me sinto à vontade no palco, sinto muita falta quando fico muito
tempo sem pisar no palco, começo a ficar estressada, enlouquecer,
eu não consigo. Mas eu adoro fazer cinema, por exemplo, amo, amo.
Eu acho que se eu pudesse escolher, eu viveria de cinema.
Maíra Chasseraux: Como o cinema aconteceu para
você?
Maíra Chasseraux: Na minha família todo
mundo trabalha com cinema. A minha irmã é figurinista, Maitê
Chasseraux, minha irmã mais velha; meu cunhado é diretor
e roteirista de filme de terror, Denílson Ramalho; meu irmão,
Pablo Chasseraux, é diretor de fotografia; meu outro irmão,
Guilherme Ferreira, é músico e contra-regra; meu outro irmão,
Ruan Ferreira, trabalha com produção em cinema. Então
todos trabalham com cinema. Eu sempre tive muito acesso.
Meu irmão, quando cursava a FAAP, tinha muito trabalho pra faculdade,
filminhos de conclusão de curso. Eu ia fazer pra ele e para os
amigos dele. Sempre fiz muito curta-metragem de faculdade, sempre fui
muito acessível a isso, adoro. E eu trabalho com agências
e eles sempre me indicam para muitos testes. O do Guilherme (de Almeida
Prado) foi o primeiro que eu fiz, fui indicada pela minha agência.
Eu fui fazer teste e eles gostaram de mim. Fiz uma segunda bateria e foi
assim que eu cheguei no Dulce Veiga (“Onde Andará Dulce Veiga?”)
Mulheres: Você se lembra como foi pisar pela primeira
vez em um set profissional, que no caso, foi o “Dulce Veiga”?
Maíra Chasseraux: Foi uma experiência maravilhosa.
Primeiro, porque só tinha grandes estrelas, eu era a pessoa mais
desconhecida no elenco: Maitê Proença, Christiane Torloni,
Nuno Leal Maia, Eriberto Leão, Carolina Dieckmann. Então
eu estava cercada de grandes estrelas, eu era a mais inexperiente ali.
Mas assim, a equipe que preparava a gente... O Guilherme é uma
pessoa... não é puxa-saco não, ele é uma pessoa
incrível, querido, super acessível. Então eu me senti
super à vontade. Eu tive, não um deslumbramento, mas um
encantamento de estar naquele lugar. Eu já tinha feito muita publicidade,
muita coisa, já tinha estado em set, já sabia qual a função
de cada um ali. Mas no set de filmagem tem essa magia, do cinemão
acontecendo, da arte, não é mercadoria, eu não estou
vendendo um produto, eu estou fazendo um filme de arte que vai ser eternizado.
E era essa a sensação, de estar fazendo parte de uma coisa
especial.
A equipe que trabalha com cinema é de pessoas iluminadas, pessoas
inteligentes, antenadas, sensíveis. Grande parte da equipe é
de pessoas de grande sensibilidade, pessoas muito queridas. Vira quase
uma família, né? Ficamos mais de um mês filmando juntos,
é uma sensação de encantamento e de muita felicidade,
fazendo parte de uma obra de arte.
Mulheres: Você faz uma personagem importante no
filme. Eu gostaria que você fale sobre ela e como foi construí-la.
Maíra Chasseraux: A Patrícia é muito
esotérica, adora astrologia. Ela sempre analisa as pessoas por
esse viés, todas as conjunturas astrológicas para saber
como vai ser aquele dia, se é um dia favorável para dar
entrevista, pra fazer show. Ela analisa tudo desse jeito. Ela é
lésbica, é apaixonada pela Márcia, que é a
Carolina Dieckmann, e é filha da Christiane Torloni.
Ela é a produtora da banda. Ela só leva esculacho da Márcia,
que vive implicando com ela. Ela tenta fazer tudo certo, mas acaba fazendo
tudo errado. Já me disseram, inclusive, que o meu personagem é
o único que tem o pé no chão, que quando eu entro
em cena dá um alívio, porque o filme é bem louco,
você nunca sabe o que é verdade, o que é viagem.
Pra mim, eu confesso, não foi muito difícil fazer esse personagem,
porque é muito próximo da minha realidade. Eu sou muito
do rock`n roll, tenho muito amigo gay, amiga lésbica, é
muito próxima da minha idade. O que eu pensei mais foi na caracterização,
porque se passa nos anos 80, na referência daquela época.
Eu não sou lésbica, mas apesar de não ter nenhuma
cena afetiva com a Carolina, eu quis entender como seria, se sentir seduzida,
gostar de uma mulher. E foi isso, foi muito tranqüilo trabalhar com
o Guilherme, a preparação, o entendimento de texto.
Mulheres: Quando eu te perguntei sobre o set, você
falou sobre os atores famosos, importantes. Como foi contracenar com aquelas
mulheres?
Maíra Chasseraux: Olha, na verdade, na verdade,
eu contracenei pouco com elas, das mulheres foi mais com a Carolina mesmo.
Foi tranqüilo, todo mundo se preparando, ficavam horas no camarim,
se concentrando. Eu sou extrovertida, eu fico andando, eu quero olhar
o cenário. Eu acho que isso vem do teatro, eu gosto de ficar no
espaço cênico, no caso ali do set, no cenário, e sentindo.
E como a equipe tá toda ali, montando luz, colocando a câmera
no local, e etc, então eu ficava ali o tempo todo com a equipe,
com o pessoal da câmera, principalmente. Ficava sempre por ali,
já sentindo o clima, e na hora de filmar, da ação,
me dava uns minutinhos para me concentrar.
A gente era colocado junto ali no cenário, na hora de filmar, e,
por isso, acabamos convivendo pouco. A pessoa que eu mais convivi foi
com o Eriberto Leão, que se tornou um grande amigo muito querido.
O Eriberto é muito sensível, ele me ajudou. Tem uma cena
em que eu tinha que dirigir uma moto e eu não sabia. Era um caminho
todo cheio de pedra e eu não conseguia andar, muito buraco, poça
dágua. E aí ele disse “venha cá”. Me botou na garupa,
teve toda a paciência do mundo, até que eu fui pegando confiança.
É uma pessoa muito paciente, que sabe jogar, que pega você,
olha no olho, e pede de novo.É assim, quando uma pessoa fala, você
está no contraplano, e, por isso, você não precisa
estar ali. Mas a gente tinha combinado de estar para ajudar um ao outro,
e isso era muito bom. No filme todo, eu tenho mais cenas é com
o Eriberto, é com quem eu mais contraceno.
Mulheres: Você está acompanhando o lançamento
do filme em todas as cidades?
Maíra Chasseraux: Eu vi todas as sessões
do filme até agora. Eu vi no Rio, três ou quatro sessões;
eu vi em São Paulo todas as sessões, e agora aqui, em Tiradentes.
O próximo destino é San Diego, na Califórnia, e eu
estou louca para ir pra lá, vamos ver se vai dar certo.
Mulheres: Você acha muito importante acompanhar
a recepção do público?
Maíra Chasseraux: Ah, como é o meu primeiro
filme, eu fico curiosa pra saber a reação do público.
Em São Paulo, em cada sessão eu levei um amigo diferente,
eu queria ir ver junto pra saber se eles gostavam. Então é
mais essa ansiedade de ver a reação das pessoas.
Mulheres: Você já está envolvida
em algum novo projeto ou está por conta desse lançamento?
Maíra Chasseraux: Olha, eu estou envolvida em
alguns projetos. Tem duas peças de teatro, uma que eu estou produzindo
e outra de um pessoal de Curitiba, pra estrear em março. Amanhã
estou indo para São Paulo para fazer um teste para o filme do Chiquinho
(Francisco César Filho), que chama-se “Augustas”. Estou fazendo
teste para o filme de uma mineira, não me lembro o nome dela agora,
e fiz teste para o filme de um americano que mora no Rio.
Tem também umas meninas que estavam fazendo três curtas e
que agora resolveram transformar em um longa, elas pararam agora para
escrever o roteiro, chamado “Noites Frias”. É da Luíza e
da Daniela, não me lembro agora o sobrenome delas. E eu estou em
um curta do Francisco, não sei o sobrenome, passou no edital agora,
a gente deve começar a filmar no primeiro semestre. Enfim, tem
essas coisas acontecendo.
Mulheres: Qual foi o último filme brasileiro que
você assistiu?
Maíra Chasseraux: “Meu Nome Não É
Johnny” (2007 - Mauro Lima).
Mulheres: Eu sempre convido minhas entrevistadas para
fazerem uma homenagem a uma mulher do cinema brasileiro de qualquer época
e de qualquer área.
Maíra Chasseraux: Eu vou ser meio óbvia
agora, bem óbvia: é a Fernandona Montenegro. Eu acho que,
cara, ela é o grande exemplo, a grande escola. Eu fui ver o “Amor
nos tempos do Cólera” (2007 – Mike Newell) e não sabia que
ela fazia o filme. E ela faz lindamente, ela dá um show, é
um espetáculo à parte a Fernanda nesse filme.
Eu não gosto muito do filme, mas a atuação da Fernanda
tá algo de fora do normal, tá maravilhosa. Eu sou uma grande
fã dela e não poderia falar de uma outra pessoa.
Mulheres: Muito obrigado pela entrevista.
Maíra Chasseraux: De nada.
Entrevista
realizada em janeiro de 2008,
na "11a Mostra de Cinema de Tiradentes".
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