Mulheres do Cinema Brasileiro - Ano 3
Um mapeamento das mulheres que fizeram
e fazem a história do Cinema Nacional

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Momentos da “11ª Mostra de Cinema de Tiradentes”

Janaina Kremer e Renata de Lélis em cena de "Ainda Orangotangos",
de Gustavo Spolidoro(RS)
Foto: Luciane Seligman

Bigode e as musas do cinema

O cineasta Luiz Carlos Lacerda fez o lançamento de sua biografia, o livro “Prazer & Cinema”, volume da Coleção Aplauso escrito pelo jornalista, crítico e cineasta Alfredo Sternheim. Bigode, como é conhecido, tem como mestre o cineasta Nelson Pereira dos Santos, de quem foi assistente de direção, dirigiu filmes como “Leila Diniz”, “For All” e “Viva Sapato”, e conviveu e dirigiu grandes musas do cinema brasileiro, como Leila Diniz, Odete Lara, Ana Maria Magalhães, Betty Faria, e muita outras.

Bigode fala um pouco como foi conviver com essas deusas do cinema nacional:

“Eu acho que é mais uma face do privilégio de ter vivido o tempo dessas pessoas tão especiais, como a Leila, como Odete Lara, a Norma Bengell, que é minha amiga até hoje, pessoas muito revolucionárias mesmo. A Odete começou a trabalhar em cinema na época em que a atriz tinha que ter carteirinha de saúde igual às prostitutas. E Leila foi a grande revolucionária feminina, que mudou o comportamento neste país, mudou o olhar sobre a mulher e mudou consequentemente o homem, na medida em que ele tem que lidar com essa nova mulher. Então eu ter tido o privilégio de ter essas pessoas como amigas minhas, às vezes até morando junto, como amigos, e tê-las nos filmes que eu fiz foi um privilégio muito grande. Como foi um privilégio ter convivido na minha adolescência, pelas madrugadas, eu e Leila, que queríamos conhecer os nossos ídolos nos botequins, o Vinícius, o Tom Jobim. Então a gente saía pela noite atrás dessas pessoas, que a gente queria ver, ao vivo, nossos ídolos.”

Aurora

A Mostra Aurora continua movimentando as discussões e também as apostas entre críticos e o público, já que terá vencedores pelo júri da crítica e do júri jovem.

O primeiro filme exibido, “Ainda Orangotangos”, de Gustavo Spolidoro, foi até agora o mais aplaudido pelo público. O filme, todo feito em um plano seqüência, tem vigor e chamou a atenção para Spolidoro, diretor de curtas, em sua estréia em longa-metragem.

“Sábado à Noite” desconcertou todo mundo. O mediador do debate sobre o filme, Francisco César Filho, o Chiquinho, disse ter ficado atônito ao final da projeção. O filme de Ivo Lopes foi originado do DocTV e causou repulsa em muita gente pelos planos longos e de ações rareadas. Ao ponto de suscitar perguntas como: Mas o que esse filme tem? Já que não há praticamente personagens, histórias, ação. Eu gostei muito, mas é, realmente, um filme difícil de ser assistido.

“Crítico”, de Kleber Mendonça Filho, confirmou o talento desse curta-metragista premiado. Durante vários anos, o cineasta entrevistou cineastas e críticos de várias partes do mundo, com foco nessa relação nem sempre muito tranqüila. Kleber ouviu muita gente, cineastas como Walter Salles, Gus Van Sant, Fernando Meirelles e Philipe Noyce, e críticos como Luiz Zanin Oricchio, Marcelo Lyra e Hugo Sukman. Um dos melhores momentos é uma visão sobre o escândalo que o genial Glauber Rocha protagonizou no Festival de Veneza, quando seu filme “A Idade da Terra” foi desprezado pelo júri. Só essa seqüência vale o ingresso. “Crítico” também foi muito aplaudido.

O filme cearense “O Grão”, de Petrus Cariry, agradou muita a platéia e boa parte do público com a história passada no sertão e a relação de uma velha senhora e seu neto. O filme tem enquadramentos belíssimos, boa direção e atuações, mas não me conquistou por um detalhe simples: a contação de histórias. Acho muito difícil esse recurso funcionar no cinema, apesar da importância da cultura oral. Como no filme ela ocupa espaço central, isso acabou por me afastar do filme.

“Corpo”, de Rubens Rewald e Rosanna Foglia, é um filme interessante, com roteiro e direção precisos. Mas é o tipo de filme em que a conclusão, ou falta dela, é que joga o filme para o alto, fazendo com que ele permaneça na nossa cabeça ainda por tempos depois do assistido.

Concorrente no último Festival de Brasília, “Amigos de Risco”, de Daniel Bandeira, sobre o reencontro de três amigos pela noitada na periferia do Recife, é um filme que também agradou. O diretor, com a ajuda dos ótimos atores – sobretudo Rodrigo Riszla, construiu uma atmosfera de tensão crescente com pelo domínio.

E o Aurora continua. Ainda será exibido o esperado “Meu Nome é Dindi”, de Bruno Safadi.

Como se sabe, a Mostra Aurora, um dos destaques da “11ª Mostra de Cinema de Tiradentes”, está apresentando uma seleção de cineastas estreantes em longa metragem. Ao final da Mostra, haverá a entrega do Prêmio Aurora concedido por dois júris – Crítica e Júri Jovem, na categorias de Melhor Filme e Destaque.

Toda a programação da “11ª Mostra de Cinema de Tiradentes” é gratuita.

Mais informações: www.mostratiradentes.com.br
Assessoria de imprensa:
Sinal de Fumaça - imprensa.tiradentes@universoproducao.com.br

Cobertura “11ª Mostra de Cinema de Tiradentes”



Cobertura "11ª Mostra de Cinema de Tiradentes" - 1ª Parte

Cobertura "11ª Mostra de Cinema de Tiradentes" - 2ª Parte

Cobertura "11ª Mostra de Cinema de Tiradentes" - 3ª Parte

 

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