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A
renovação no cinema brasileiro
na “11ª Mostra de Cinema de Tiradentes”
Madale Alves e Nash Laila em cena de "Deserto Feliz" de Paulo
Caldas
Foto: Divulgação
O primeiro final de semana comprovou a excelência
da programação da 11ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
Se a Mostra apostou na renovação do cinema brasileiro, com
o tema “Juventude em Trânsito”, o comparecimento às exibições
dos filmes e a circulação pelo Centro Cultura Yves Alves
– QG da Mostra, dá a constatação precisa do acerto
dessa escolha. Os filmes apresentados até agora são interessantes
– com muitos, excepcionais, e os novos atores enchem a tela, com talento
que emociona.
“Falsa
Loura”, do mestre Carlos Reichenbach, abriu a décima primeira edição
arrebatando esse editor do Mulheres. O veterano cineasta dá seqüência
com esse novo filme a uma das mais vigorosas e autorais filmografias do
cinema nacional. E Rosanne Mullholand, a protagonista Silmara, é
mesmo um acontecimento cinematográfico. Rosanne está também
em “Meu Mundo em Perigo”, o novo filme de José Eduardo Belmonte,
e sua presença exuberante está registrada desde a abertura,
como também no filme de Carlão – no “Falsa Loura”, a dança
de abertura já nos conquista imediatamente; em “Meu Mundo em Perigo”,
sua imagem estática é um convite, e sinal, da densidade
que veremos daí a pouco. Em “Meu Mundo em Perigo” é impossível
não falar também do ator mineiro radicado em São
Paulo, Eucir de Souza, o protagonista masculino do filme – sua composição
do atormentado personagem é uma das mais vigorosas das últimas
produções do cinema brasileiro. “Meu Mundo em Perigo” é
um filmaço.
“Alucinados”,
de Roberto Santucci, é cinema de gênero, um filme de ação
que começa mal, mas que, aos poucos, vai construindo a atmosfera
adequada. O protagonista Cláudio Gabriel é outro grande
ator em a ascensão, e sua parceria com o talento comprovado de
Silvio Guindane funciona na tela. A protagonista feminina é Mônica
Martelli, mais conhecida em comédias, como na peça “Os Homens
são de Marte e é pra lá que eu vou”, e no filme “Trair
e Coçar é só Começar” (2006 – Moacyr Góes).
Em “Alucinados” ela compõe uma personagem dramática com
veracidade.
“Em 5 Frações de Uma Quase História”, produção
mineira da Camisa Listrada, é dirigida por seis cineastas – Armando
Mendz, Cris Azzi, Cristiano Abud, Guilherme Fiúza, Lucas Gontijo
e Thales Baia. O segmento dirigido por Cris Azzi foi o que mais me seduziu,
com boa presença de Luiz Arthur como protagonista. As atrizes Inês
Peixoto e Raquel Pedras estão ótimas em cena. Inês,
que faz três personagens, está ótima, sobretudo, como
esposa adúltera. Já Raquel dá um tom de diva pop
de “road movie” em sua pequena, mas ótima participação.
Cynthia Falabella, em presença ascendente no cinema brasileiro,
está ótima no filme. É a grande atuação
de “5 Frações de Uma Quase História”. Vale registrar
também a presença de Samira Ávila e o talento de
André Carrera na produção.
“Deserto Feliz”, de Paulo Caldas, é um filme arrasador, daqueles
de impregnar fundo na alma. A atriz protagonista Nash Laila é uma
revelação perturbadora e mostra, já no primeiro longa,
uma capacidade criativa de veterana. Quem rouba os olhos também
nesse ótimo filme de Caldas é Hermila Guedes. O que é
essa atriz? Hermila surpreende em cada atuação, como daquelas
atrizes que têm mesmo sangue de cinema na veia. Magdale Alves e
Zezé Motta são também presenças marcantes
no filme.
“Cleópatra”, de Júlio Bressane, é, surpreendentemente,
um dos filmes de narrativa mais linear dentre suas última produções.
Como se sabe, o filme fez polêmica no último Festival de
Brasília, com vaias estrondosas. Acho que foi má vontade
com Bressane. “Cleópatra” é infinitamente menor que “Filme
de Amor”, pó exemplo, mas é produção de interesse
desse cineasta-autor. Alessandra Negrini dá o tom teatral proposto
e não faz feio. Sua composição é interessante,
corajosa e de entrega – Miguel Falabella está muito bem no filme,
ao contrário do segundo protagonista masculino, o ator Bruno Garcia.
As atrizes Isabel Gueron, Josie Antelo e Bel Garcia dão densidade
às participações coadjuvantes.
Teve exibição também de filmes especiais como “A
Via Láctea”, de Lina Chamie, e “Mutum”, de Sandra Kogut.
E vem muito mais por aí. A “11ª Mostra de Cinema de Tiradentes”
apenas começou.
Toda a programação da “11ª Mostra de Cinema de Tiradentes”
é gratuita.
Mais informações: www.mostratiradentes.com.br
Assessoria de imprensa:
Sinal de Fumaça - imprensa.tiradentes@universoproducao.com.br
Cobertura "11ª
Mostra de Cinema de Tiradentes"
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